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História


 

Santa Maria de Faria


Faria, orago de Santa Maria, sob a invocação de Nossa Sr.ª da Assunção, era uma vigararia da apresentação do D. Prior da Colegiada de Barcelos.

Esta freguesia esteve anexa à de Milhazes, formando uma só com o nome de Milhazes e Faria, readquirindo porem mais tarde a sua autonomia.

Nas Inquirições de D. Afonso II de 1220 vem com a designação – { Santa Maria de Faria Antiga }, nas Terras de Faria.

Nelas se diz que o rei tem aqui 8 casais e dão deles o terço do pão, o terço do linho e o quarto do vinho; que {dant Domino terre semel in ano octo casalia que sunt ibi regalenga VJ. VJ. Denários pró collecta et pró luctuosa J morabitinum et leitigam secundum suum fórum. Et pectant IIJ calumpnias, scilicet, de sanguine, derroto in villa ipsa J carneiro}.

Esta freguesia tem sesmarias : Sº Salvador de Fornelos 3 casais e Stª Maria de Goios meio casal.

A Terra de Faria, limitada a norte pela de Neiva, da qual era separada pelo rio Cavado, ao nascente pela de Penafiel de Bastuço e ao sul por Vermoim e a Maia, estendendo-se em uma larga extensão até ao oceano que a banhava a poente, transforma-se pelo decorrer do tempo no julgado do mesmo nome, com sua sede primitivamente na vila de Faria, da qual passou mais tarde para a de Rates.

O Senhorio de Faria foi dado por D. Afonso Henriques ao seu grande amigo e cooperador da Independência nacional Hermigio Moniz.

Por carta de 14 de Dezembro de 1363, D. Pedro I deu o prestamo de Faria a Nuno Gonçalves, em pagamento da contia de seus maravedis.

D. Fernando, por carta de 18 de Novembro de 1371, fez a doação do senhorio do julgado de Faria a D. Gonçalo Telo de Menezes, 1º conde de Neiva, nosso vassalo pela guisa porque o nós havemos, passando deste, depois da batalha de Aljubarrota, para João Fernandes Pacheco, vassalo e guarda-mor de D. João I.

O Julgado de Faria, com muitas outras terras, por carta de 8 de Novembro de 1401, entrou na doação e confirmação a D. Afonso, 1º Duque de Bragança, filho bastardo do rei D. João I e genro do condestável D. Nuno Alvares Pereira, ficando desde então incluído no grande termo de Barcelos.

Substituiu este julgado até 1835, ano em que foi extinto por lei de 21 de Março, continuando porem a pertencer a maior parte das freguesias que o compunham a este concelho e comarca e sendo as restantes nessa data e em datas posteriores incorporadas nos concelhos e comarcas vizinhas.

Faria deu o nome à família deste apelido e ao condado, do qual foi seu 1º conde D. Gonçalo Telo de Menezes.

Este condado foi incorporado nos princípios do século XV na Casa de Bragança.

Vicente Gonçalves, de Braga, edificou no século XIII na freguesia de Faria uma casa e a defendeu com Honra que estendeu a toda a freguesia.

 

Indo uma vez lá o mordomo de el-rei fazer uma penhora, um irmão de Vicente Gonçalves matou-o em um lugar próximo da Igreja.

Esta Honra passou depois para D. Estêvão Peres de Rates e mais tarde foi englobada na Casa e Quinta dos Pedregais.

A Casa e Quinta dos Pedregais, que muitos escritores consideram Solar dos Farias de Barcelos, andou sempre na linha varonil de Nuno Gonçalves de Faria, tronco desta família, até D. Catarina Afonso de Faria, 4ª neta do grande alcaide, e, mudando de linha nos princípios do século XVIII e sendo ali instituído um Morgado, nunca deixou de pertencer a esta ilustre geração até 1870, ano em que foi vendida e em seguida desmembrada em glebas na posse de estranhos.

Da sua nobre e antiga casa hoje nada existe.

Há porem pessoas velhas nesta freguesia que se lembram de ver uma torre desmantelada e restos de paredes de edificações que foram demolidas em meados do século XIX e empregada a sua pedra em muros de vedação de propriedade.

Vê-se ainda um portão, estilo D. João V, relativamente moderno, que fecha os muros que circundam um reduzido terreno ( parte da antiga quinta dos Pedregais ) onde estiveram aquelas casas.

Encimando este portão está um escudo com as armas em chefe dos Farias.

Este brasão foi concedido em 1535 a Sebastião de Faria, 5º neto de Nuno Gonçalves, e ali mandado colocar por algum seu parente.

Corre na tradição que a Igreja Paroquial esteve no sítio onde hoje é a bouça da Igreja, um pouco mais a norte da actual.

Este templo, estilo Barroco simples, ergue-se no centro de um adro fechado por parede.

Na padieira de sua porta principal tem gravado –IHS.1695-, que deve ser a data da sua construção.

Ao lado esquerdo da fachada levanta-se uma sólida e bem proporcionada torre, com seu relógio, a qual tem uma padieira da porta de entrada com a data de -1846- e ao lado gravada uma pedra a seguinte inscrição: = FEITA POR INICIATIVA DO -PARACHO JOSE ANT.º EIRAS – 1846 =.

Em 1914, na ocasião de uma trovoada, caiu um raio nesta torre, derrubando-a quase toda, bem como o coro, metade do tecto da Igreja e parte de sua fachada.

Tudo porem em breve foi reconstruído, sendo então aumentada a capela-mor que era muito pequena.

Na ocasião dessa construção foram encontradas na abise pinturas com imagens de santos e outros ornatos, cobertos por reboco de cal.

Dentro do templo está muito limpo e asseado; os seus tectos são de estuque, pintados, o altar-mor em talha antiga, renascença, muito bem dourada, e os cinco laterais em talha simples e moderna, muito bem conservados.

O púlpito tem gravado na madeira a data -1884 e baptistério, ainda que muito bem trabalhado, é moderno; no rebordo está gravada a data -1896.

Quando foi da colocação desta pia baptismal, mandaram enterrar a antiga em campo próximo da Igreja.

Levantou-se então uma grande questão nesta freguesia, dividindo-se o povo em dois partidos: uns queriam que continuasse a servir a antiga e outros a moderna.

Vencendo por momentos o primeiro partido, desenterraram-na e colocaram-na no sitio, mas o outro partido, não se confrontando com isso, pôs a nova e tornou a enterrar ou destruiu a velha.

Uma tempestade num copo de água!

 

Os frades do convento do Bom Jesus do monte da Franqueira instituíram nesta Igreja uma Ordem Terceira de Sº Francisco, da qual era comissário um frade daquele convento.

Do lado do evangelho estão as casas de arrumação e a sacristia. Esta é bem proporcionada e está com asseio.

Vêem-se nas paredes um lavado de pedra, dois quadros com as imagens da Sr.ª do Rosário e de Santo António, pintadas em madeira e o retrato do actual senhor Marquês de Faria, que se julga tenha sido um benfeitor desta freguesia.

No adro, no recanto formado pela torre e parede da Igreja, está uma sepultura de pedra com tampa, não sabendo a quem pertenceu, por não ver nela gravada inscrição alguma.

Na quinta de Pedregais estava outra que foi levada para o Museu Municipal das Torres, em Barcelos.

O Cemitério Paroquial foi construído ao fundo do adro e tem sobre o seu portão a data de 1892.

O Cruzeiro Paroquial, formado por uma alta coluna com capitel coríntio, tem gravado na base a data de 1733 e ergue-se no largo fronteiro ao portão de Pedregais.

O Presbitério outrora, sito, em frente à porta principal, era um velho edifício quase em ruínas. Estando hoje sito na lateral sul da Igreja, sendo o edifício recuperado recentemente.

Tem esta freguesia apenas duas capelas.

A Capela de Santo Amaro, no alto de um pequeno outeiro, no lugar da Igreja, cercada por adro murado para onde se ascende um tosco escadório, é pequenina e antiga.

Ao lado vê-se uma minúscula sacristia mais moderna e por cima da porta uma sineira da qual furtaram o sino.

A Capela de Santa Ana, no lugar de Cima de Aldeia, é particular e pertencente à família do Sr. António Benardino da Silva.

Há os seguintes Nichos ou Alminhas : as da Igreja e as de Cimo de Aldeia.

Esta freguesia está situada em planície e é servida por uma estrada Municipal que, partindo da que vai de Barcelos à Póvoa na freguesia de Gilmonde, passa junto à Igreja Paroquial e dá comunicação com a de Vilar de Figos.

Confronta pelo norte com a freguesia de Milhazes e a de Vila Seca, pelo poente com a de Cristelo, pelo sul com a de Paradela e pelo nascente com a de Vilar de Figos.

É banhada pelo ribeiro de Fim de Vila, que nasce em Courel e vai com outros formar na lagoa das Necessidades o Rio Tinto, e pelo riacho de Zarague, que nasce em Milhazes, afluente daquele ribeiro.

A sua população no século XVI era de 38 moradores; no século XVII era de 65 vizinhos; no século XVIII era de 68 fogos; no século XIX era de 366 habitantes; pelo 7º censo de população é de 444 habitantes e pelos censos de 1991 é de 562 habitantes.

Esta população está distribuída pelos seguintes lugares; Igreja, Outeiro, Monte, Presa, Cortinhal, Cimo de Aldeia, Agra, Eiras, Vieiros, Senra e Fim de Vila.

Parece que era neste último lugar a antiga vila de Faria.

Tem esta freguesia Escola Oficial que vai funcionar em edifício próprio, construído em 1931 por iniciativa de Srº Padre Manuel Faria.

Dos homens notáveis, cujos nomes andam ligados a esta freguesia destacaremos os seguintes:

Nuno Gonçalves de Faria, o grande alcaide do Castelo de Faria.